Mercúrio da obturação de amálgama está proibido pela ANVISA. – por Dra. Melissa Lucena

   O mercúrio, usado na liga para amálgama, na forma não encapsulada terá seu uso proibido a partir de 1 de janeiro de 2019! Está decisão foi publicada hoje, 18 de setembro de 2018, no Diário Oficial da União. A Anvisa publicou uma resolução RDC n° 173 que proíbe a fabricação, a importação, a comercialização e o uso, em serviços de saúde, dos elementos mercúrio e pó para liga de amálgama na forma não encapsulada. Os produtos com liga de amálgama na forma encapsulada não estão proibidos e poderão ser utilizados. Os fabricantes têm até o dia 1º de janeiro de 2019 para retirar estes produtos de circulação.

   O amálgama de prata é um material utilizado há mais de 1 século pela Odontologia como material de escolha para obturações dentárias. Em sua composição pode-se encontrar junto ao mercúrio o cobre, prata, zinco, platina e paládio.

   No Brasil, embora seu uso esteja em declínio pela exigência estética atual, ainda é bem usado por suas propriedades mecânicas, durabilidade e baixo custo. A alternativa ao uso do desse material seria o tratamento restaurador atraumático (TRA). Ele surgiu para restaurar dentes cariados em locais onde o tratamento convencional não era possível. Aqui no Brasil, essa técnica é sugerida nos cadernos do SUS para tratamentos em escolas e para locais de difícil acesso. A técnica do TRA é de amplo alcance social e possui diversas vantagens, como: diminuição do tempo de atendimento e prevenção de casos de necessidade de tratamento de canal e de extrações dentárias.

  Em 2013, durante a Convenção de Minamata, produziu-se um documento para redução, controle e eliminação dos produtos com mercúrio na composição, até 2020. Desta forma, o amálgama de prata, termômetro, pilhas e baterias foram incluídos na lista.

   A preocupação com o descarte deste composto no Meio Ambiente é antiga. O mercúrio é absorvido pelos peixes que consumimos. E, não o eliminamos do nosso organismo. Dentre seus efeitos tóxicos estão envolvimento com células nervosas, como tremores e irritabilidade, náuseas, vômito ou podendo levar até a morte.

   Seguindo essas mudanças, a Odontologia brasileira contribuirá para uma melhora no meio ambiente, melhora das condições de trabalho e de saúde dos profissionais da área e uma melhora para a saúde do paciente. Para acompanhar de perto novidades na área da Odontologia e na área da saúde, visite www.melissalucena.com.br.

Dente humano posterior com restauração em amálgama de prata, deixando o dente com aspecto escurecido.